sábado, 4 de junho de 2011

Memória de Papel

        Nunca gostei de arrumar o quarto, principalmente quando é para mexer em material escolar, mas tive de fazê-lo.
        Comecei a retirar sacos do fundo do armário, os livros poderiam ficar. Fol has e mais folhas, devidamente separadas por disciplina ocuparam o chão de meu quarto.
        É inevitável olhar para tudo aquilo e não querer reler suas respostas e lembrar de seus antigos pensamentos.
        Comecei a passar o olho por folhas de português, depois matemática e, enquanto voltava no tempo, o mundo ao meu redor avançava. Eu estava lá, ligada àquelas memórias. Vivia uma vez mais aquela realidade, queria que o ontem fosse o amanhã de hoje, como eu queria...
        Ao me deparar com uma folha de fichário que falava sobre análise de planos e justificativa para determinadas escolhas, desabei em lágrimas. Aquela aula, uma das poucas eu possuía gravada na íntegra, me voltou à mente, como um filme. A diferença é que eu não podia reiniciar nem congelar aquele momento com um simples botão.
        Conseguia ver meu professor explicando, ou, pelo menos, criando suposições para a imagem de “Abbey Road”, o 12° disco dos Beatles. Suas palavras ecoavam em minha cabeça e me via, sentada, achando fantástico tudo o que ele dizia, com a caneta roxa em mãos. Só tinha boas lembranças daquele dia ingênuo.
        E, agora, ao sair de transe, escuto os mesmos Beatles daquele momento passado me dizendo: “Get Back, Get Back, Get Back to where you once belonged”, como eu queria...